sábado, 5 de julho de 2008

Alberto Sampaio na inauguração do monumento a Afonso Henriques

No dia 19 de Outubro de 1887, aquando da inauguração em Guimarães do monumento a D. Afonso Henriques, foi publicado o número único do jornal "A Apotheose", que contou com inúmeros colaboradores. Entre eles contava-se o vimaranense Alberto Sampaio, com o seguinte texto:

O monumento a Afonso Henriques, que vai inaugurar-se nesta cidade no dia 19 de Outubro, significando o tributo de respeito que devemos todos àquele “sem o qual não existiria hoje a nação portuguesa, e por ventura, nem sequer o nome de Portugal”, exprime também que o sentimento da pátria que uniu no passado nossos pais, está sempre e cada vez mais vivo no nosso peito.

A presente publicação concorrerá também e eficazmente para robustecer esse sentimento, que é a base da vida pública de todos os povos cultos.

Guimarães.
Alberto Sampaio

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Presidente do Tribunal de Contas fala sobre Alberto Sampaio em Famalicão

Guilherme d'Oliveira Martins

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão convida os órgãos de comunicação social a participar na conferência nacional “A Geração de Alberto Sampaio – Histórias de Vida”, que se realiza amanhã, sábado, a partir das 15h00, no Centro de Estudos Camilianos, junto à Casa de Camilo Castelo Branco, em S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. O evento inserido nas Comemorações do Centenário da Morte de Alberto Sampaio (1908-2008) que estão a decorrer até ao final do ano, irá contar com a participação de familiares do historiador e de alguns dos seus amigos mais próximos, como António Nóvoa, descendente de Alberto Sampaio e reitor da Universidade de Lisboa e Guilherme de Oliveira Martins, familiar de Oliveira Martins e Presidente do Tribunal de Contas, entre outros.

Moderada pelo jornalista José Carlos de Vasconcelos, a mesa redonda irá então contar com a intervenções de oradores como António Nóvoa, Guilherme de Oliveira Martins, João Gomes de Abreu Lima, familiar de João Gomes de Abreu de Lima, João Afonso Machado, membro da família do Visconde de Pindela, José Vale de Figueiredo, representante da família de Luís de Magalhães e Manuel G. de Carvalho, representante da família de Jaime de Magalhães Lima.

As “Histórias de Vida” de Alberto Sampaio e de alguns dos seus amigos mais próximos constituirão assim o tema desta iniciativa cultural, onde são esperados familiares dos homenageados que não deixarão, por certo, de transmitir as suas “histórias”, muitas delas só conhecidas no círculo restrito da família. No átrio do Centro de Estudos Camilianos estarão em exposição livros da biblioteca do historiador com dedicatórias de amigos.

[Informação do Município de Vila Nova de Famalicão]

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mesa redonda “A Geração de Alberto Sampaio – Histórias de Vida”:

Alberto Sampaio, Luís de Magalhães e Jaime de Magalhães Lima

Está em curso, desde 1 de Dezembro de 2007, o programa comemorativo do centenário da morte do historiador Alberto Sampaio (1841-1908), autor de As Vilas do Norte de Portugal e As Póvoas Marítimas, obras de referência da historiografia nacional.

Entre as diversas iniciativas que constam do programa, realiza-se no próximo dia 21 de Junho, pelas 15:00h, no Centro de Estudos Camilianos, em Seide, Vila Nova de Famalicão, a mesa redonda “A Geração de Alberto Sampaio: Histórias de Vida”. A entrada é livre.

Participam neste evento, moderado pelo Dr. José Carlos de Vasconcelos, o Prof. Doutor António Nóvoa, membro da Família de Alberto Sampaio, o Dr. Guilherme de Oliveira Martins, membro da Família de Oliveira Martins, o Eng.º João Gomes de Abreu Lima, membro da Família de João Gomes de Abreu de Lima, o Dr. João Afonso Machado, membro da Família do Visconde de Pindela, o Dr. José Vale de Figueiredo, representante da Família de Luís de Magalhães e Dr. Manuel G. de Carvalho, representante da Família de Jaime de Magalhães Lima.

As “Histórias de Vida” de Alberto Sampaio e de alguns dos seus amigos – Oliveira Martins, Jaime de Magalhães Lima, Luís de Magalhães, Visconde de Pindela e João Gomes de Abreu de Lima, constituirão assim o tema desta iniciativa cultural, onde são esperados familiares dos homenageados que não deixarão, por certo, de transmitir as suas “histórias”, muitas delas só conhecidas no círculo restrito da família. No átrio do Centro de Estudos Camilianos estarão em exposição livros da biblioteca do historiador com dedicatórias de amigos.

PROGRAMA

15:00h: Recepção dos participantes

15:15h: Sessão de Abertura, Presidente da Câmara Municipal, Arq. Armindo Costa

15:30h: Mesa redonda – 1.ª parte
Moderador: José Carlos de Vasconcelos, jornalista
Intervenientes
António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa
Guilherme de Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura
Manuel Gonçalves de Carvalho, professor do Ensino Secundário

17:00h: Pausa para café

17:30h: Mesa redonda – 2.ª parte
Moderador: José Carlos de Vasconcelos
Intervenientes
José Vale de Figueiredo, poeta e ensaísta
João Afonso Machado, advogado e escritor
João Gomes de Abreu Lima, engenheiro civil

19:00h: Sessão de encerramento

domingo, 1 de junho de 2008

Feliciano Ramos, sobre Alberto Sampaio e o espírito do lugar

"Alberto Sampaio era um paladino da terra de Entre-Douro-e-Minho, tinha o culto desta nação milenária. A fim de compreender a sua devoção histórica pelo Norte, não é indiferente uma romagem a Guimarães, sua cidade natal. Uma vez lá, convirá subir ao alto da colina histórica, que domina o povoado urbano, onde se fixa o rude e bravio rochedo, símbolo da nossa sólida e irremovível vitalidade. Aí se nos deparará essa relíquia militar das origens da Nação, o castelo de Guimarães com as torres quadrangulares, que projectam no céu a sua dentadura granítica; também se evocará, para além da sobriedade decorativa e escultórica da capela românica de S. Miguel do Castelo, as inquietações religiosas da gente da Fundação. Uma vez perante os Paços dos Duques de Bragança, que, na sua imponência arquitectónica, espelham ainda o vasto poder senhorial de outros tempos, descer-se-á até ao Claustro de S. Domingos, para lá memorar o passado pré-histórico de Portugal e as aspirações autonomistas das velhas populações do Minho. Depois disto, é ainda indispensável, para bem compreender o homem de Entre-Douro-e-Minho através dos tempos, percorrer o Museu de Alberto Sampaio, cujo recheio artístico e arqueológico é, em grande parte, um valoroso legado da gente do Norte. A leitura atenta dos Estudos Históricos e Económicos de Alberto Sampaio será magnificamente iluminada por esta romagem histórica, que é um dever para todos os portugueses."

Feliciano Ramos, Alberto Sampaio e a subjectividade das suas interpretações históricas, Coimbra, 1946, pp. 21-22.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Alberto Sampaio na Revista Lusitana

No volume IV da Revista Lusitana (1896), de José Leite de Vasconcelos, Alberto Sampaio publicou um texto raramente referido na sua bibliografia. Trata-se de uma nota etimológica que aparece transcrita, com pequenas alterações de pormenor, na nota C inserida no final de “As Vilas do norte de Portugal”.


Um derivado de cornus, -i pelo sufixo -ária

Nos nossos pomares é hoje completamente desconhecida a cornus dos latinos (Cornus mascula de Linn.), – árvore frutífera de pequeno porte, cuja madeira teve na antiguidade grande reputação de dureza, segundo uma das referencias de Virgílio:

……………………..et bona bello

Cornus…………………………...(1)

Não mais conhecida foi ela com certeza dos lexicógrafos portugueses, tal tem sido a sua divergência na tradução da palavra latina; traduzem-na uns em corniso, outros em sanguinho, outros em pilriteiro, julgando alguns que era uma espécie de abrunheiro, senão também de cerejeira brava. Este desvairamento de opiniões numa coisa tão simples indica absoluto desconhecimento da árvore; e contudo ela foi cultivada entre nós, e teve um nome privativamente seu, com uso tão prolongado, que se fixou em denominações locais.

O documento n.° 263 (an. 1027) dos Dipl. et Chartae, colecção dos Port. Mon. Hist., dá-nos uma informação decisiva a este respeito na seguinte passagem –uilla Cornaria subtus castro uermudi discurrente rribolum aue.

Comecemos pelo exame da denominação da “vila”.

Sendo corrente(2), que no período romano se designaram localidades e prédios rústicos com nomes derivados de vegetais por meio de vários sufixos, entre eles -arius -ária, logo à primeira vista a palavra cornaria se nos apresenta composta de cornus+-ária, justamente como do mesmo modo se compuseram os nomes de quase todas as árvores; sem a menor hesitação podemos, portanto, considerar a cornaria, que se lê no diploma, equivalente à cornus do latim clássico.

Vejamos agora se aquela entrou na linguagem popular, vertendo-se -ária em -eira.

Felizmente o texto contém as indicações bastantes para ser possível uma investigação de localidade. Este prédio devia ser pouco extenso, porque não produziu uma freguesia rural; mas deixou, contudo, memória na toponímia. Aproximadamente a 4 quilómetros do Castro de Vermoim, em baixo, ao sul, nos limites de Landim, S. Miguel e S. Paio de Seide (V. N. de Famalicão), há um terreno, compreendendo campos e bouças, chamado hoje o lugar de Carneira ou Corneiras; daqui ao Ave há quase a mesma distância. A situação da vila não deixa a menor dúvida; onde esteve a Cornaria do diploma está a Corneira actual.

Uma parte da freguesia de Tagilde (Guimarães) chama-se também ainda hoje Vila Corneira, que supõe uma Cornaria, como muito bem entende o seu distinto pároco, o sr. Oliveira Guimarães. (3)

Em face, pois, dos nomes topónimos que acabamos de citar, fica demonstrado que a cornus deu origem a Cornaria e Corneira, e que, portanto, esta última deve ser a tradução da primeira palavra.

Todavia, o nome nunca teria existido sem a árvore, por isso dissemos que foi cultivada entre nós; mas, tendo sido abandonada a sua cultura, ele perdeu-se para a linguagem comum, ficando apenas gravado no onomástico local, e por tal motivo passou desapercebido aos eruditos.

Quanto à denominação do fruto (cornum, -i) lapidosaque corna, diz Virgílio(4) –, não encontrámos vestígios que nos elucidem sobre a forma portuguesa, que indubitavelmente existiu.

Alberto Sampaio.

(in Revista Lusitana, n.º 4, 1896, pp.285-286)

_____________________________

(1) G. II, V. 447-8.

(2) Jubainville, Recherches s. l’or. de la pr. f. et d. n. de l. hab. en F., Cap. XVI

(3) Tagilde, Mem. Hist.-Descript.

(4) Aeneid., III, v. 649

domingo, 25 de maio de 2008

Alberto Sampaio na Revista de Guimarães (5)


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ESTUDOS DE ECONOMIA RURAL DO MINHO

A apropriação da terra e as classes que constituem a população campestre

A quem vê hoje a província, coberta duma rede inextricável de divisões, dispostas por toda a parte em estreitas malhas, ajustando-se a todos os contornos e relevo do solo, com as casas rústicas dispersas pelos vales e encostas, - parecerá que nunca foi de outro modo e que se houve canto do mundo em que a propriedade individual tinha de nascer espontânea, devera ser este, onde tudo estava indicando o regime actual, desde a configuração do terreno até à abundância da água.

Houve todavia uma época, em que a população vivia no alto dos montes: era esta a regra normal em toda a região, como mostram as ruínas da Citânia de Briteiros e Sabroso (Guimarães), da do Monte da Saia (Barcelos), da de Paços de Ferreira e de tantas outras que cobrem os picos culminantes das cordilheiras que atravessam o país.

Que essas ruínas representam verdadeiros lugares rústicos, onde a população se recolhia para maior segurança, como indicam as muralhas de defesa, é sem duvida uma hipótese verosímil. Com os habitantes assim aldeados ou grupados em povoações, partindo dali para os seus trabalhos, a província apresentaria já uma feição muito diferente, feição que chegou até à ocupação romana, por isso que muitas destas se encontram romanizadas. Até pelo menos a essa época, o regime quanto às habitações era totalmente diverso do presente e deixa supor que o da terra seria também outro, adequado a tal disposição das casas. Se com as habitações dispersas é necessária a propriedade individual, a colectiva torna-se possível quando se agrupam em lugares.

in Alberto Sampaio, "Estudos de economia rural do Minho. A apropriação da terra e as classes que constituem a população campestre", Revista de Guimarães, n.º 4, 1887, p. 21-38.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A Indústria Vimaranense

A assinalar a Exposição Industrial de Guimarães de 1884, foi lançado o número único do jornal “A Indústria Vimaranense”, uma iniciativa conjunta da imprensa local, que contou com textos de diversos autores, entre os quais Adolfo Salazar, Campos Henriques, Avelino Guimarães, Conde de Margaride, Martins Sarmento e Pereira Caldas. O texto de abertura é de Alberto Sampaio. Aqui fica:

Parecerá geralmente demasiada imodéstia que um concelho, a quem sobra a indiferença pública, se abalançasse a fazer uma Exposição Industrial.

Os seus iniciadores não tiveram contudo em vista organizar uma festa de mera ostentação, nem tampouco nunca pensaram surpreender o público com uma colecção de produtos, cujo acabamento nada deixasse a desejar.

Está visto que cada um havia de fazer o melhor que pudesse; mas este melhor estando limitado a um maquinismo antigo e por assim dizer primário, a exposição não poderia ostentar evidentemente estas maravilhas da indústria moderna que nas grandes exposições estrangeiras provocam a admiração das multidões, Havia, porém, um motivo para pôr de lado quaisquer considerações e fazer esta tentativa.

Tendo a mecânica moderna, auxiliada por enormes capitães, revolucionado a indústria fabril em todos os países civilizados do mundo, a nossa tem continuado a viver aqui humildemente com os seus velhos instrumentos de produção, procurando somente na habilidade manual a perfeição e barateza que aliás lhe devia ser dada economicamente por máquinas e ferramentas aperfeiçoadas.

A situação tornara-se extremamente delicada. A concorrência estrangeira, minando-a e cerceando-a todos os dias, está pondo em risco a subsistência de milhares de pessoas e uma parte da riqueza nacional. A falta de instrução técnica, a aprendizagem imperfeita e não regulada, a indiferença dos poderes públicos, a carência de capitães e instrumentos aperfeiçoados, vão operando dia c noite uma solução desgraçada.

Era tempo, pois, de tentar um esforço. Começar por uma exposição estava naturalmente indicado.

Agitar a população fabril e convencê-la a lançar-se numa tal empresa, a ela que tem vivido sempre na penumbra e como que abandonada, é muito; mas não é tudo. O tudo é a união das vontades. Se se convencerem todos da força imensa de que poderão dispor, se reunirem e disciplinarem os seus esforços, se se convencerem que um dos grandes males que aflige o trabalho local é a desunião e o indiferentismo de cada um em relação aos interesses gerais, se em vez de partidos meramente políticos levantarem outro que se proponha sobretudo a reorganização da indústria concelhia, se ao lado dele organizarem sociedades de estudo que procurem a solução das questões que lhe dizem respeito, se em fim se formular claramente uma vontade decidida de obter o rejuvenescimento das antigas e históricas indústrias de Guimarães, os iniciadores e organizadores da exposição dar-se-ão por satisfeitos, quaisquer que fossem as contrariedades com que tiveram de arcar para dar este primeiro passo definitivo no novo caminho.

Alberto Sampaio

A Indústria Vimaranense, n.º único, Guimarães, 15 de Junho de 1886

domingo, 18 de maio de 2008

O terramoto da Andaluzia de 1884

No dia 25 de Dezembro de 1884, quando a noite já tinha caído, a Andaluzia foi abalada por um terramoto que causou mais de 800 mortos e 1500 feridos, deixando atrás de si um imenso rasto de destruição. Esta catástrofe daria origem a uma enorme campanha de solidariedade, que se estendeu desde a Europa até à América.

Assim foi também em Guimarães, onde, ao longo do mês de Janeiro de 1885, houve preces pelas vítimas do terramoto, que culminaram no dia em passou um mês sobre o desastre, no qual saiu da igreja de S. Domingos uma procissão de penitência, conduzindo, num andor, a imagem de Nossa Senhora dos Terramotos em andor, que terá sido acompanhada por uma multidão de mais de 6000 pessoas.

No dia 12 de Fevereiro, realizou-se, no teatro de D. Afonso Henriques, um baile de máscaras em benefício dos povos de Andaluzia. Segundo então noticiou o Comércio de Guimarães, o baile teve uma assistência extraordinária” e “o teatro achava-se decorado com muito gosto, principalmente os camarotes da 2.ª ordem”. À porta tocou uma banda de música até à meia-noite. A sessão entrou pela noite dentro, tendo sido dançada a última quadrilha às três horas da madrugada. O escritor Bráulio Caldas ofereceu então à comissão organizadora do evento “um formoso bouquet de sonetilhos”, que foi vendido em benefício das vítimas do terramoto.

Nesse dia, começou a circular o número único do jornal Guimarães-Andaluzia, publicação em Benefício das Vítimas dos Terramotos na Espanha, pela Comissão de Socorros Vimaranenses em que colaboraram 44 autores vimaranenses. Entre eles, contava-se Alberto Sampaio, com o seguinte texto:

Conto popular

Duma vez, uma pobre mulher tinha um filho, que chegou a ser bispo ou arcebispo.

Quando isto aconteceu, era já muito idosa e vivia numa cabana, longe da cidade.

Mas o filho, logo que subiu a tal honraria, mandou por ela e trouxe-a para o paço, onde a velhinha era tratada a primor, com todas as grandezas devidas à mãe de um príncipe da Igreja.

Apesar de tudo, a coitada sentia-se mal. Não estava em sua casa: faltava-lhe a liberdade do seu lar, o agasalho e o calor da sua fogueira.

Começou a pedir que n levassem outra vez para a sua terra, e tanto disse que o bispo mandou reconduzi-la à sua antiga vivenda.

Chegada lá, e despedidos os grandes que a acompanhavam, a boa velha fechou-se por dentro, acendeu o fogo na lareira abandonada, assentou-se no seu escabelo, e, pondo-se à vontade, desabafou em alta voz:

“Ah, minha casa, meu lar! Quem te fadou, não te fadou mal.”

~*~

Os desgraçados, que V. com o seu óbolo, vão ajudar a readquirir o home destruído, ainda que não conheçam o mote do povo português, dirão todavia no seu coração:

“Bem hajam os que nos auxiliaram a reconstruir as nossas casas, os nossos lares.”

Guimarães, Janeiro do 1885.

Alberto Sampaio.


sábado, 17 de maio de 2008

Alberto Sampaio e o Plano Geral das Escolas de Instrução Primária de Guimarães

Num texto que escreveu sobre a Exposição Industrial de Guimarães de 1884, Avelino da Silva Guimarães descrevia Alberto Sampaio como sendo “dotado de inteligência viva e muitíssimo cultivada, especialmente em estudos económicos. Sem ocupações profissionais, cheio de ardor e de brio, caracteristicamente trabalhador”. À imagem de outros homens da cultura do seu tempo, como Francisco Martins Sarmento, Alberto Sampaio não exercia nenhuma profissão (a não ser quando montou banca de advogado em Lisboa, logo após a formatura em Coimbra, ou quando, por breve tempo, trabalhou no Banco de Guimarães). No entanto, era, repetindo as palavras do seu amigo Avelino Guimarães, “caracteristicamente trabalhador”. Ao longo da sua vida, assumiu diversas causas públicas e desempenhou missões cuja incumbência aceitou em prol do interesse comum .

Em 1869, integrou a filial de Guimarães da Associação Arqueológica de Lisboa.

Em 1873, ajudou a fundar, a Companhia dos Banhos de Vizela.

No início de 1881, integrou a comissão que a Câmara de Guimarães incumbiu da missão de avaliar as vantagens da introdução no concelho de vides americanas resistentes à filoxera.

A partir desse mesmo ano, deu uma contribuição fundamental para a fundação e instalação da Sociedade Martins Sarmento, à qual prestou serviços relevantes.

Em 1883, fez parte da comissão encarregada pela Câmara de seleccionar os produtos que seriam levados à exposição Agrícola de Lisboa, que se realizou em Maio desse ano.

Em 1884, organizou, com reconhecida eficácia, a Exposição Industrial de Guimarães, promovida pela Sociedade Martins Sarmento.

Para além das suas contribuições para a cidade onde nasceu e viveu a maior parte da sua vida, Alberto Sampaio também contribuiu para, pelo menos, um projecto de dimensão nacional, a proposta de Lei de Fomento Rural de Oliveira Martins, de 1887.

Alberto Sampaio esteve ainda ligado ao desenvolvimento do ensino em Guimarães, uma das principais preocupações da Sociedade Martins Sarmento, que nasceu como Promotora da Instrução Popular. Em 1883, integrava, com o Conde de Margaride e o Padre António José Ferreira Caldas, a Junta Escolar de Guimarães, a quem coube organizar o plano geral das escolas de instrução primária e respectiva distribuição pelas freguesias do concelho, em conformidade com uma lei de 2 de Maio de 1878. A Câmara Municipal, então presidida por António Coelho da Mota Prego, aprovaria este plano no dia 8 de Agosto de 1883, remetendo-o para o inspector distrital da instrução primária em 1 de Setembro seguinte. Porém, em vez de lhe ser dado andamento, o projecto “dormiu em Braga cerca de quatro anos, na inspecção distrital, no meio dos papéis inúteis e abandonados”, conforme se escreverá no Boletim da Sociedade Martins Sarmento de Maio de 1894.

Em 1897, o plano esquecido voltou novamente à Câmara. Por essa altura, tinha sido publicado um ofício do Governador Civil do Distrito de Braga que impedia a criação de novas “escolas elementares sem que haja sido aprovado o respectivo programa”, que suscitou uma proposta de António Mota Prego, onde, depois de concluir que, “a avaliar pelo que tem sucedido, determinadamente com o antigo plano elaborado pela Câmara em 1883, e perdido na inspecção de Braga sem seguimento até 1887, calculo que não poderemos gozar tão breve o melhoramento que as necessidades da instrução pública reclamam e a Câmara com tão boa vontade aprovou”, propõe a instalação, com carácter provisório, de uma “escola de ensino público, em que se professem a gramática portuguesa, rudimentos de corografia e história de Portugal, princípios elementares de aritmética, geometria e sistema métrico”.

A nova escola começou a funcionar no dia 1 de Outubro de 1887, numa sala alugada num edifício da rua de Gil Vicente e com mobiliário do Instituto Escolar da Sociedade Martins Sarmento.

No Boletim da Sociedade Martins Sarmento de Junho de 1894 encontrámos um elogio ao professor da Escola Primária Elementar, no qual transparecem as preocupações pedagógicas daqueles que, como Alberto Sampaio, lideraram o movimento que operou uma revolução na oferta escolar de Guimarães, desde o ensino das primeiras letras ao ensino técnico e liceal:

“Sem melindre de outros, por igual inteligentes e zelosos; folgámos em poder dizer, por observação repetida, que o professor da escola municipal tem honrado a confiança que a câmara nele depositou.

Não será difícil encontrar indivíduos, profundamente conhecedores das matérias que se compreendem no programa da cadeira que foi posta a seu cargo. Mas o que não é tão fácil de encontrar, é quem disponha assim de paciência, de benevolência de serenidade, de amor pelas crianças que lhe são confiadas.

Cada criança aprende mais depressa ou mais devagar, mais fácil ou mais dificilmente segundo a capacidade natural da sua inteligência. Do seu trabalho, do seu estudo depende muito, é certo, mas não depende tudo.

Pretender medi-las todas pela mesma craveira é sempre absurdo. Mas, por desgraça, é o que mais usualmente sucede.

E, não raras vezes, se ouve falar do triste espectáculo de um mestre, que procura iluminar brutalmente, à pancada, o cérebro dos seus alunos, que a natureza não fez tão vivo, tão perspicaz ou tão feliz.

Estes processos violentos surtem sempre mau efeito.

Não só essas barbaridades são improdutivas para o fim que se deseja, mas sucede ainda mais que a criança maltratada a cada passo não achando na sua organização, intelectual forças que a eximam a esta tortura de todos os dias, acaba por se desalentar, por se modificar e perverter no seu carácter ao mesmo passo que lhe fogem os últimos restos da viveza intelectual, e a saúde física se compromete e depaupera.”

terça-feira, 13 de maio de 2008

A política portuguesa, segundo Alberto Sampaio

[Para ampliar, clique na imagem]
A Paixão Popular, segundo Rafael Bordalo Pinheiro (in O António Maria, 25 de Março de 1880)

Durante toda a nossa história contemporânea, para a população portuguesa a noção do “governo” tem sido sempre a de um inimigo, de que a gente precisa de se defender, por sua conta e risco, como puder. Depois de se extenuar em tumultos e convulsões por mais de meio século, sem nenhum outro resultado, senão achar-se cada vez pior, considerando-se já agora como vencida, não faz ela outra opinião, senão a de um conquistador, que para a deixar viver à mercê da sua ignorância e miséria lhe exige o melhor do seu dinheiro.

A seu turno, os que mandam, aqueles que tiveram uma hora de sorte ao pôr o pé no estribo e por fim tomaram definitivamente as rédeas do poder, somente vêem no público – eles e os seus agentes, um gerador de impostos, a massa anónima, vil e desprezível, que não pode servir para outra coisa, mas que, contudo, é força ir ameigando deste ou daquele modo, por modo que ele, apesar da sua pacatez dos últimos trinta anos, não venha a enraivar-se, como as ovelhas tosquiadas rentes em demasia.

A frase tão famosa “o povo pode e deve pagar mais” exprime pitorescamente esta situação. Dois inimigos debatem um imposto de guerra. O vencedor, o que governa, quer tal quantia para deixar em paz o vencido, que se vê ao fundo com o traje burlesco, que o celebrado caricaturista lhe deitou aos ombros, protestando e jurando que não tem ceitil.

E são, de facto e realmente, dois inimigos, duas entidades que se não entendem nem se amam. Por isso se formou a oligarquia governante com os seus interesses e as suas opiniões em oposição ao país, que, não tendo já força para lhe resistir, nem saber para a substituir, sofre todas as imposições, reservando-se a triste e nefasta consolação de a desprezar e denominá-la com os nomes mais injuriosos.

Daqui resultam as piores consequências.

Faltando aos governos o apoio moral da nação, falta aos homens que o têm constituído e aos empregados, seus delegados, o sentimento de responsabilidade que basta por si só para tornar fecunda uma administração.

Por outro lado, livres de todo o sentimento de dever para com a nação, os políticos, julgando-se em terreno conquistado, importam-se apenas da sua gente.

Por isso, pode dizer-se que a política portuguesa, no fundo, só se tem preocupado de duas questões correlativas – aumentar os impostos para elevar a receita, e acrescentar esta em benefício de uma classe.

(Alberto Sampaio, “Oliveira Martins e o seu projecto de Lei de Fomento Rural”, in A Província, Porto, 14 de Maio de 1887)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Exposição bibliográfica “Alberto Sampaio no seu tempo”

A exposição bibliográfica “Alberto Sampaio no seu tempo”, organizada pela Biblioteca Pública de Braga, está patente ao público no átrio da reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, até ao próximo dia 15 de Maio. Nesta mostra são apresentadas várias obras da bibliografia activa e passiva do historiador e alguns títulos significativos de importantes personalidades do seu tempo, como Oliveira Martins, Antero de Quental, Martins Sarmento, Abade de Tagilde, Luís de Magalhães e Jaime de Magalhães Lima.


A pequenada diverte-se com Alberto Sampaio

Um grupo de 25 crianças da Escola EB1/JI Abade de Vermoim, participou na actividade “Alberto Sampaio a brincar é que a gente se entende” que decorreu esta quinta-feira, 8 de Maio na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão.

Num concurso entre equipas, a pequenada divertiu-se a resolver passatempos do Caderno de Exploração desenvolvido pelas técnicas do Serviço Educativo do Museu de Alberto Sampaio, que deu o nome a esta actividade. E a brincar, partiram à descoberta de aspectos singulares da vida de Alberto Sampaio retratados no livro infantil “ História de Alberto”. No final, todos os participantes receberam como prémio um exemplar do Caderno de Exploração e um certificado de participação.

Professores de Braga participaram no roteiro de Alberto Sampaio

Um grupo de 30 professores da Escola Secundária Alberto Sampaio, de Braga, participou esta quarta-feira, 7 de Maio, no roteiro “Alberto Sampaio por terras do Minho”, uma iniciativa inserida nas Comemorações do Centenário de Alberto Sampaio, que estão a decorrer até ao final do ano envolvendo as autarquias de Famalicão e Guimarães, para além de outras instituições.

De Vila Nova de Famalicão, ponto de partida, o grupo rumou à Casa Museu de Camilo, em S. Miguel de Seide, para visitar um dos lugares mais emblemáticos do romancista. Seguiu-se a Igreja Paroquial e o Mosteiro de Santa Maria de Landim. O claustro e os lindíssimos jardins, recriaram o cenário ideal para transmitir ao grupo informações de interesse histórico sobre o antigo convento dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho onde, anos mais tarde, já na posse do domínio privado, Alberto Sampaio viria a conhecer Camilo Castelo Branco. O roteiro terminou com “chave de ouro” na Casa de Boamense, com a visita aos jardins e à biblioteca do historiador.

domingo, 4 de maio de 2008

Alberto Sampaio na Revista de Guimarães (4)


ESTUDOS DE ECONOMIA RURAL DO MINHO
A cultura do mato

Por toda a parte, nos cimos dos montes e nas ladeiras íngremes, entre as penedias que afloram à superfície, onde nunca poderá chegar a charrua, ou em baixo nos sítios mais magros e pedregosos, de onde jamais tirará qualquer proveito, nascem espontaneamente estes arbustos silvestres e bravios, conhecidos pela denominação geral de “mato”, dando aos montes todo o ano pela persistência das suas pequenas folhas uma cor verde característica e em certas épocas cobrindo-se de bonitas flores amarelas. Comuns a todas as formações graníticas, rudes e intratáveis por causa dos seus espinhos agudos, são, apesar da sua difícil abordagem, uma das mais preciosas produções com que a natureza quis porventura compensar a pobreza inicial destes terrenos, e que o génio da raça, que se fixou no país, soube converter em beneficio dos outros que melhor se prestavam ao cultivo.

É assim em todos os países graníticos, desde o Minho ate à Bretanha: em todos a agricultura recorre àquelas plantas, como a um dos principais elementos fertilizadores e de maior valia que a natureza lhe pôs à disposição.

E, de facto, se viessem a desaparecer, veríamos a produção agrícola do Minho muito reduzida: a região contendo 50% de terras montanhosas, a metade das quais pelo pouco não daria nenhum vegetal de produção directa, nem outro, a não ser este, que pudesse prestar qualquer auxilio à sua lavoura, o lavrador teria então de aplicar às camas dos animais a palha com que actualmente em parte do ano sustenta o gado; e a falta desta deveria ser substituída por ervagens que teria de produzir especialmente para tal fim nas terras onde hoje produz ou grãos ou frutos destinados ao sustento do homem. Se o cultivador minhoto pôde acomodar à produção agrícola todos os cantos aproveitáveis da sua terra, é sobretudo por causa destas sarças agrestes que vegetam até no alto dos montes entre as pedras e que vêem fertilizar os campos dos vales e da meia encosta, trazendo-lhes princípios fertilizantes, que aliás lhe ficariam muito caros: à falta de conhecimentos técnicos positivos, a intuição mostrou-lhe o merecimento económico de tais plantas que se lhe representam com verdade como o mais valioso auxiliar da sua indústria.

in Alberto Sampaio, "Estudos de economia rural do Minho. A cultura do mato", Revista de Guimarães, n.º 3, 1886, p. 146-159.

domingo, 20 de abril de 2008

Notícias da Exposição Industrial de Guimarães de 1884 (1)


A Exposição Industrial de Guimarães de 1884 teve grande ressonância na imprensa local, regional e nacional daquela épica. Entre as inúmeras notícias que então se publicaram, destaca-se uma longa, detalhada e muito interessante reportagem publicada em 18 números do
Jornal de Comércio, de Lisboa, de que a seguir se transcreve um excerto, onde se descreve a génese da Exposição e se dá conta da intervenção destacada que nela teve Alberto Sampaio, que nesse mesmo ano daria os seus primeiros passos como historiador, nas páginas da Revista de Guimarães. Os textos publicados no Jornal do Comércio são do Dr. Avelino da Silva Guimarães, da Sociedade Martins Sarmento e profundo conhecedor da indústria vimaranense.


"(...)

Estas considerações; o conhecimento do valor industrial dos povos do concelho de Guimarães, moderados no salário, sujeitos a trabalho até ao sacrifício; a decadência que se manifesta em parte das antigas indústrias vimaranense; - inspiraram a SOCIEDADE MARTINS SARMENTO a promover, já a concentração do espírito público de Guimarães para o estudo do estado precário da sua indústria, já o emprego de esforços para que o governo realizasse a fundação de estabelecimentos de instrução técnica, decretados desde 1864.

Com estes fins beneméritos, a Sociedade fundou os dois cursos nocturnos de francês e desenho, nomeou comissões de comerciantes, fabricantes e consócios, para procederem a inquéritos parciais por classe de indústria, realizou uma conferência pública na sala da biblioteca, tomando por tema – a importância da indústria vimaranense, e meios de a melhorar –, e resolveu se promovesse uma Exposição Industrial puramente concelhia.

A criação dos cursos nocturnos realizou-se facilmente, graças ao desinteresse e altos dotes cívicos dos dois professores; a Exposição teve largas e variadas dificuldades a vencer.

Teve o pensamento, o projecto da direcção dois anos de incubação. A Sociedade carecia de meios para fazer face às despesas; alguns receavam-se de tudo, e nem sequer esquecia como argumento de impugnação, a necessidade de dar à Exposição, não o aspecto modesto da simples exibição dos produtos fabris, mas o aspecto ornamental das grandes exposições nacionais. O ornamental, como dizia Spencer, preferindo ao útil!

Dois factos recentes resolveram os ânimos mais tímidos: a inauguração do caminho-de-ferro de Guimarães, e a criação da escola industrial da Covilhã; aquela aquecendo e progredindo pela ideia de progresso, esta agitando pelo sentimento de um agravo. A direcção da Sociedade convidou uma assembleia geral de proprietários, comerciantes e industriais. Presidiu o ilustre consócio, o Sr. conde de Margaride.

O projecto da Exposição foi recebido com entusiasmo. Por deliberação desta assembleia, organizou-se uma comissão central composta inteiramente de sócios da SOCIEDADE MARTINS SARMENTO: os Srs. barão de Pombeiro (presidente), dr. António Coelho da Mota Prego (presidente da Câmara), Manuel de Castro Sampaio (administrador do concelho), visconde de Lindoso, directores da Sociedade: dr. José da Cunha Sampaio, António Augusto da Silva Carneiro, António José da Silva Basto, dr. Avelino Germano, dr. Avelino da Silva Guimarães, Domingos Leite de Castro (autor da primeira proposta para a Exposição), Adolfo Salazar, dr. Joaquim José de Meira, dr. Domingos de Castro Meireles, Manuel de Freitas Aguiar, José Miguel da Costa Guimarães e Eugénio da Costa Vaz Vieira; José Martins de Queiroz, dr. Alberto Sampaio, A. A. da Silva Caldas, dr. Luís Augusto Vieira, António José Pinto Guimarães, Domingos José de Sousa Júnior, Manuel Ribeiro de Faria, I. de Menezes, Domingos Martins Fernandes, José Ribeiro da Silva e Castro e João Dias de Castro.

Organizada a grande comissão central, começaram de convidar-se classes de comerciantes e industriais, para os ouvir e consultar acerca do melhor método a seguir para o plano da Exposição.

Foi convidado o Sr. dr. Alberto Sampaio para organizar o projecto do programa e regulamento.

Depois de decorridas bastantes semanas, depois de tomado o espírito de algum imprevisto desânimo, depois de ter exercido um certo domínio no ânimo do público a acção perniciosa dos retrógrados, uns sinceros, outros pelo velho achaque da maledicência, a maioria da comissão refez-se de coragem, resolveu vencer todas as dificuldades, e levar por diante o plano da Exposição.

Organizaram-se duas comissões: numa assembleia-geral, uma comissão de meios, composta dos sócios os Srs. padre João Gomes de Oliveira Guimarães, Domingos Martins Fernandes, Eduardo Almeida e António José Baptista Guimarães; numa sessão da comissão forma-se uma subcomissão executiva, composta dos Srs. dr. Alberto Sampaio, presidente, Domingos Leite de Castro, Domingos Martins Fernandes e Manuel Ribeiro de Faria. A comissão central abre uma subscrição para receita, e subscreve com largueza; a subcomissão de meios consegue em poucos dias abundante receita por subscrição pública. A Câmara subscreveu com 200$000 réis; a companhia do caminho-de-ferro com 100$000 réis.

A animação arrasta a todos, o entusiasmo renasce no comércio e na indústria, o patriotismo dos cidadãos vimaranenses aviva intensamente, uma polémica jornalística acerca da criação da escola de desenho incendeia ainda mais, por se reputar insuficiente pela a riqueza e variedade industrial de Guimarães. A subcomissão executiva confere ao dr. Alberto Sampaio pleno arbítrio na direcção técnica para a organização da Exposição. A comissão central conheceu que em trabalhos desta ordem há sempre necessidade duma certa concentração de poderes, da energia duma direcção superior. Escolheu para este fim, e acertadamente o Sr. dr. Alberto Sampaio, nomeando-o presidente da subcomissão executiva.

O dr. Alberto da Cunha Sampaio é dotado de inteligência viva e muitíssimo cultivada, especialmente em estudos económicos. Sem ocupações profissionais, cheio de ardor e de brio, caracteristicamente trabalhador, agora convencido até ao entusiasmo da oportunidade da Exposição, a comissão não podia fazer melhor escolha para director técnico desta exibição sistemática e concentrada da riqueza industrial de Guimarães.

Assumindo esta direcção, o dr. Alberto Sampaio desenvolve a máxima actividade, visitando as casas de comércio, as fábricas e oficinas, animando a todos, resolvendo dúvidas, organizando, enfim, o quadro das indústrias concelhias. Nas conjunturas mais graves, mais por satisfação aos seus consócios, que por necessidade, consulta a comissão central.

Consegue-se do Sr. António de Moura Soares Veloso, gerente da companhia do caminho-de-ferro de Guimarães, a cessão do palacete de Vila Flor, situado em posição vantajosa, e próximo da estação do caminho-de-ferro.

Convidam-se os numerosos expositores a escolherem lugar para as suas instalações, pela maior parte feitas a expensas próprias.

Sendo muito numerosos, havendo uma grande variedade de classes de indústrias, poucas e pequenas as salas para tão desenvolvida Exposição, imaginem-se os esforços que o director técnico teve de fazer, as indicações prudentes e engenhosas que foi necessário usar, para que todos ficassem bem, e todos satisfeitos.

(...)"

Colóquio «A Geração de 70: Alberto Sampaio e os "Outros"»


Decorreu no dia 18 de Abril, no auditório B2 do Campus Universitário de Gualtar, em Braga, o colóquio subordinado ao tema «A Geração de 70: Alberto Sampaio e os "Outros"». Esta iniciativa foi organizada pelo Centro de Estudos Lusíadas e contou com a colaboração da Biblioteca Pública de Braga.

Na Reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, está patente a exposição bibliográfica “Alberto Sampaio no seu tempo”, organizada pela Biblioteca Pública de Braga, a qual pode ser visitada até ao próximo dia 15 de Maio, das 9h00 às 17h30.

Programa

9h30Abertura

Acílio Estanqueiro Rocha (Vice-Reitor da Universidade do Minho)

José Viriato Capela (Presidente do Conselho Cultural da UM)

Fernando Machado (Presidente do Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM)

Manuel Gama (Director do Centro de Estudos Lusíadas da UM)

9h45 – Conferência inaugural

Guilherme d' Oliveira Martins (Presidente do Centro Nacional de Cultura): «A Geração de 70: ideário, acção e posteridade»

10h40 – Intervalo

11h00 – Comunicações: «"Outros" da Geração de 70»

Moderador: Carlos Mendes de Sousa (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM)

Emília Nóvoa Faria (investigadora) e António Martins (investigador): «Alberto Sampaio na imprensa da época»

Maria do Carmo Mendes (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM): «Um jornalista e poeta da Geração de 70: Guilherme de Azevedo»

Isabel Cristina Mateus (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM): «Silva Pinto e o Realismo em Portugal: teoria e prática»

12h30 – Almoço

14h30 – Comunicações: «Tempos e Contextos da Geração de 70»

Moderadora: Virgínia Soares Pereira (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM)

Miguel Bandeira (Instituto de Ciências Sociais da UM): «Guimarães e Famalicão ao tempo de Alberto Sampaio»

Eduardo Pires Oliveira (Biblioteca Pública de Braga da UM): «Braga ao tempo de Alberto Sampaio»

José Marques Fernandes (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM): «Matriz proudhoniana da Geração de 70»

Manuel Gama (Instituto de Letras e Ciências Humanas da UM): «Rafael Bordalo Pinheiro: o hermeneuta (pelo traço) das "Conferências Democráticas"»

A Póvoa de Varzim associa-se às Comemorações do Centenário de Alberto Sampaio

A exposição “Alberto Sampaio: exposição bibliográfica” foi apresentada, no passado dia 11 de Abril, na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, por Isabel Fernandes, Directora do Museu de Alberto Sampaio. Recorde-se que a Biblioteca já tinha sido escolhida, em Dezembro passado, para uma sessão de apresentação do livro História de Alberto. A seguir à abertura da exposição, Emília Nóvoa Faria apresentou a palestra “Alberto Sampaio, o historiador das Póvoas Marítimas”, na qual revelou os resultados das pesquisas que tem vindo a realizar sobre o historiador, que nasceu em Guimarães, em 1841. O profundo conhecimento pessoal que tinha da realidade minhota, aliada a uma vasta erudição, que perpassa toda a sua obra, são, na sua opinião, os dois factores que fazem de Alberto Sampaio um caso raro na historiografia das vilas e cidades portuguesas.

Com base nesta exposição, o serviço educativo da Biblioteca organizou várias actividades dirigidas ao público infanto-juvenil, com o intuito de divulgar a vida e a obra deste historiador, nomeadamente visitas guiadas à exposição, acompanhadas por um guia de exploração criado para o efeito, e ainda uma oficina do livro “O que descobri de Alberto Sampaio”, na qual cada criança construirá um livrinho para registo de elementos da exposição. Foram produzidos dois catálogos bibliográficos: Alberto Sampaio – uma vida, uma obra (para o público infanto-juvenil) e Alberto Sampaio e a Póvoa de Varzim (para o público adulto).


terça-feira, 15 de abril de 2008

Apresentação do Caderno de Exploração “Alberto Sampaio: a brincar é que a gente se entende” em Vila Nova de Famalicão

O caderno de exploração sobre a vida de Alberto Sampaio, intitulado Alberto Sampaio: a brincar é que a gente se entende, uma edição das Comemorações do Centenário de Alberto Sampaio preparada pela Serviço Educativo do Museu de Alberto Sampaio, foi apresentado no Centro de Estudos Camilianos, em Vila Nova de Famalicão, no dia 8 de Abril de 2008 perante uma plateia animada e muito participativa, constituída por 130 alunos das Escolas EB1 de Cabeçudos, Landim e Seide. A seguir à leitura e encenação de partes da “História de Alberto” com as marionetas da Companhia de Teatro e Marionetas Mandrágora, as crianças foram convidadas a participar na aventura de descobrir quem foi Alberto Sampaio, contribuindo para a solução dos jogos de matemática, palavras cruzadas e enigmas, alguns dos passatempos que constam do caderno de exploração.

Uma tarde com Alberto Sampaio

O Centro Social e Cultural de S. Pedro do Bairro promoveu, no dia 4 de Abril de 2008, no âmbito da II Feira do Livro organizada nas suas instalações, a “Tarde com Alberto Sampaio”, uma iniciativa que contou com a presença do Presidente do Centro Social, Joaquim Vale, e do Vereador da Educação e Cultura da Câmara de Vila Nova de Famalicão, Leonel Rocha. À apresentação do livro “História de Alberto” por Emília Nóvoa Faria, acompanhada por projecção das ilustrações e pela exibição das marionetas, numa colaboração da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, seguiu-se a encenação “A vida de Alberto” por alunos do ATL do Centro Social e Cultural de S. Pedro do Bairro. No final, um outro grupo de alunos juntou-se aos pequenos actores para, em conjunto, entoarem a canção “Eu sou Alberto Historiador”, com letra da autoria de um responsável do Centro. A tarde terminou com a visita à Feira do Livro, onde estavam também expostos trabalhos executados pelas crianças, inspirados na “História de Alberto”.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Por terras do Minho, com Alberto Sampaio

No último sábado, dia 5 de Abril, realizou-se o primeiro percurso do roteiro “Alberto Sampaio por Terras do Minho”, que levou os participantes a visitarem alguns lugares das terras de Vila Nova de Famalicão relacionados com o historiador Alberto Sampaio: a Casa da Boamense, onde viveu e morreu, o Mosteiro de Santa Maria de Landim, onde completou os seus primeiros estudos e a Casa Museu de Camilo Castelo Branco, escritor com quem se relacionou.