




O Centro Social e Cultural de S. Pedro do Bairro promoveu, no dia 4 de Abril de 2008, no âmbito da II Feira do Livro organizada nas suas instalações, a “Tarde com Alberto Sampaio”, uma iniciativa que contou com a presença do Presidente do Centro Social, Joaquim Vale, e do Vereador da Educação e Cultura da Câmara de Vila Nova de Famalicão, Leonel Rocha. À apresentação do livro “História de Alberto” por Emília Nóvoa Faria, acompanhada por projecção das ilustrações e pela exibição das marionetas, numa colaboração da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, seguiu-se a encenação “A vida de Alberto” por alunos do ATL do Centro Social e Cultural de S. Pedro do Bairro. No final, um outro grupo de alunos juntou-se aos pequenos actores para, em conjunto, entoarem a canção “Eu sou Alberto Historiador”, com letra da autoria de um responsável do Centro. A tarde terminou com a visita à Feira do Livro, onde estavam também expostos trabalhos executados pelas crianças, inspirados na “História de Alberto”.

O Presente e o futuro da viticultura no Minho.
Estudo de economia rural.
II
No Minho, é bem sabido que a cultura da vide se fixou economicamente não como exclusiva, mas sim associada a outras, sobretudo aos cereais e forragens; tecnicamente adoptou a forma alta, encostando as cepas às árvores ou estendendo-as em largas ramadas horizontais.
Esta maneira cultural parece ser a mais primitiva e a que que mais se aproxima à organização da planta, trepadeira de natureza vagabunda e expansiva. O modo como ela se comportava no meio das florestas, estava por si mesmo a ensinar o agricultor quando a transportou para os seus campos. Ainda hoje no nosso continente, Côte-d'Or, Toscana, Margens do Rheno, etc, encontram-se muitas espécies no estado selvático, subindo pelas árvores ou emaranhadas em sebes. A vide assim mais ou menos aparada, casada a árvores mais ou menos derramadas, devia ser o primeiro ensaio cultural.
Segundo uma tradição recolhida por Plínio (Liv. XIV, 14) parece que no tempo de Numa não havia outra cultura e esta mesma ainda incipiente; pois diz que ele proibiu aspergir com vinho a pira funerária por causa da raridade do líquido, mas que permitira fazer com este as libações aos deuses uma vez que viesse de vides podadas, para obrigar a esse trabalho os lavradores que o receavam pelo perigo de subir às árvores. E de facto muito tempo devera passar-se antes de se achar a cultura baixa. Transformar um vegetal, a quem a natureza tinha dado elementos para se desenvolver largamente num arbusto de fraco e pequeno crescimento, fazendo concentrar no cacho toda a sua vitalidade, de modo que em vez de um fruto bravio, acido e desagradável viesse a produzir um outro de sueco doce, de fino sabor e próprio a produzir uma bebida generosa, esta transformação, assim como de quase todas as nossas fruteiras, indica uma longa série de tentativas e observações dos antigos cultivadores. Mas quando enfim se achou a cultura baixa, a primeira com tais ou quais aperfeiçoamentos ficou provavelmente subsistindo ou nos sítios mais adequados ao cultivo de outras plantas ou onde o paladar não pedia nem exigia vinhos de primeira qualidade. Todavia no tempo de Columela já se conheciam as duas, ambas as quais descreve extensamente; a alta sobretudo, é de tal modo indicada no livro V, que a descrição fotografa exactamente a viticultura hodierna do Minho. Pode afirmar-se à face do texto do antigo escritor que nesta espécie desde então nada se tem inventado; tudo se acha ali, desde a árvore em alto fuste (arbusto italicum) disposta em andares (tabulata) até à entrepada em três ou quatro cabeços (rumpotinus, genus arbusti gallici), incluindo os cordões (traduces) que passam de uma a outra. Tal é principalmente a maneira virgiliana, e é a ela que o poeta se refere, quando diz:
Semiputata tibi frondosa vitis in ulmo est.
Este modo de cultivar, remontando como acaba de ver-se aos tempos mais antigos, também não é actualmente privativo da nossa região. Conserva-se na Itália, na Lombardia, em França, nos departamentos dos Altos Pirinéus, Garone, Isére e Sabóia; na Suiça em alguns sítios, como Evian; na Espanha, na Galiza. Encontra-se até na Ásia central (Kashmir).
Não possuindo os factos necessários para formularmos a história cio seu estabelecimento no Minho, e especialmente no concelho de Guimarães, indicaremos contudo que nem sempre foi assim. O foral de D. Manuel, dado em 1517 a esta cidade, contém a seguinte passagem: E Allem dos direitos atraz decrarados neste foral ouvemos por bem mandar asen-tar aquy e decrarar outros direitos e coisas que antigamente se levavam na dita villa segundo a justificaçam que das ditas coisas mandamos fazer – a saber... E assy o direito que se chama dos cariteis que he a pena que se daa aos que trazem os cães soltos no tempo das uvas”. Vê-se deste texto que anteriormente ao tempo do foral a generalidade da cultura da vinha devia ser em videiras baixas, aliás não seria preciso tomar medidas policiais a respeito dos cães no tempo das uvas. Combinando todavia as palavras que antigamente se levavam com o assentamento dos direitos dos cariteis, devemos inferir que nesta época a cultura já se estava modificando, sem se ter alterado completamente, pois que neste caso seria perfeitamente inútil declarar a coima. Concluiremos pois em face do texto que a viticultura baixa seria a regra normal no século XV, começando a desaparecer e a transformar-se toda em alta no século XVI. A esta passagem do foral convém adicionar a denominação significativa que ainda hoje conservam muitas parcelas de terra, como campo da vinha ou campo do bacelo, quando estas duas designações se eliminaram completamente da terminologia rural da localidade. O objecto desapareceu, mas como das cidades mortas ficou todavia um nome na linguagem popular.
in Alberto Sampaio, " O Presente e o futuro da viticultura no Minho. Estudo de economia rural. II ", Revista de Guimarães, n.º 2, 1885, pp. 20-35.

Cerca de 100 crianças do Centro Social e Cultural de Bairro, de Vila Nova de Famalicão, participam na próxima sexta-feira, dia 4, pelas 15h00, numa actividade educativa que tem como tema o historiador Alberto Sampaio. A partir do livro infantil “Histórias do Tio Alberto”, as crianças são convidadas a assistir a um espectáculo de imagens e marionetas, num momento único de cor, luz e movimento. A iniciativa que tem como principal objectivo cativar as crianças para a vida e obra de Alberto Sampaio insere-se no âmbito do programa comemorativo do centenário da morte do historiador, que está a decorrer até ao final do ano de 2008, e é promovido pelas Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão, Guimarães e pela Sociedade Martins Sarmento e Museu de Alberto Sampaio.
Esta actividade educativa é apenas uma das muitas que se destinam ao público infantil e jovem e que têm vindo a decorrer em vários espaços do concelho. Na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco todas as segundas-feiras, de quinze em quinze dias, a história de Alberto Sampaio é contada às crianças do concelho de Famalicão, através da apresentação da peça de teatro de Marionetas “Histórias do Tio Alberto”, a cargo da Companhia de Teatro e Marionetas Mandrágora.
A Biblioteca Municipal foi também o palco para a realização de um ateliê intitulado “O Meu Livro de Alberto”, onde cerca de 20 crianças foram convidadas a escrever e ilustrar a sua própria “História de Alberto”, utilizando papel e cartão, cola, papel colorido autocolante, marcadores, lápis de cera, entre outros. No final o resultado foi surpreendente, com histórias para todos os gostos.
Jaime de Magalhães Lima
"Grandes individualidades puderam formar e reger grandes governos, mas só a grandeza dos povos significará e alimentará a grandeza das nações. O primeiro acto de uma nova e mais justa concepção da história nacional será libertar-nos do fetichismo das individualidades e contemplarmos as energias da grei, tal qual aprendemos na lição magnífica que Alberto Sampaio nos legou."
Jaime de Magalhães Lima
Na noite de 7 de Abril de 1924, o escritor de Jaime de Magalhães Lima proferiu na Sociedade Martins Sarmento uma conferência sobre "Alberto Sampaio e o significado dos seus estudos na interpretação da História Nacional", onde analisou a relação que Sampaio tinha com a história de Portugal, ao mesmo tempo que nos deixa um testemunho impressivo da personalidade do historiador das Vilas do Norte de Portugal:
"Li um dia a Alberto Sampaio algumas passagens das Memórias de Kropotkine; falavam da ignorância simples e da obtusidade moral dos magistrados que se achavam à frente da administração do império moscovita e registravam a opressão, miséria e abandono do povo. Ouviu com atenção o libelo temeroso e eu, que lho repetia mais por lhe mostrar a finíssima arte de contar que ali estava, tão singela, que por lhe solicitar a simpatia com a desgraça que em sua substância patenteava, encontrei-o muito mais inclinado a reflectir na rectidão da causa que o comovia do que enlevado na perfeição da arte que a exprimia. Sob o homem tranquilo, regrado, sereno, pacífico e modesto habitava o apóstolo dos humildes que não se apavorava com os anátemas do anarquismo e antes lhes sentia a justiça e cogitava os remédios.
Por esse mesmo tempo – era isto no Verão de 1908 – uma noite, no vaguear da palestra verificámos que nas minhas jornadas pelo Minho já havia passado próximo de propriedades suas. E então falou-me delas. Visitava-as pouco. A casa estava deserta; não tinha lá família e não a tendo onde outrora a encontrava, aqueles lugares só lhe acordavam saudades e mágoas. Andavam entregues aos caseiros. Não sabia nem queria averiguar do zelo com que eram tratadas, nem da inteireza com que lhe era apartado o seu quinhão, e da possibilidade de acrescentar o rendimento. Havia quem dissesse que era muito prejudicado, mas estava lá gente que há muito morava lá e carecia daquilo para seu sustento. Não ia inquietá-la. E o mais da sua bondade resumiu-o num gesto de abdicação.
Na história, não o tentaram investigações de erudição pela erudição, nem especulações filosóficas, nem esplendores da arte, nem labirintos diplomáticos, nem quanto cativa o orgulho dos temperamentos aristocráticos; correu direito à morada dos humildes, ao labor e canseiras dos servos da gleba, fervorosamente as contemplou desde as origens até àquela hora em que as tinha diante dos olhos a tirar da terra o pão com o suor do rosto. Por certo poderia dizer com Wordsworth que “o amor procurou-o nas choupanas dos pobres. Seus mestres, de todos os dias, foram as árvores e os ribeiros, o silêncio que habita o céu estrelado, a paz que mora entre outeiros solitários”. “Nos jardins, disse-me, nada o cativavam as plantas exóticas. A todas as estranhas preferia as da nossa terra. Nenhumas achava mais belas que as nossas árvores com seus renovos da Primavera e a nudez austera dos Invernos”."
Jaime de Magalhães Lima, Alberto Sampaio e o significado dos seus estudos na interpretação da História Nacional. Conferência realizada na Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães, em a noite de 7 de Abril de 1924. Guimarães, Edição da Sociedade Martins Sarmento, págs. 54-55.
A Casa da Boamense onde viveu e morreu o historiador Alberto Sampaio, o Mosteiro de Santa Maria de Landim, onde o historiador completou a instrução primária e a Casa Museu de Camilo Castelo Branco, por onde passava diversas vezes para visitar o seu amigo escritor, são alguns dos locais emblemáticos do concelho de Vila Nova de Famalicão que constam de um roteiro intitulado “Alberto Sampaio por Terras do Minho” e promovido no âmbito das Comemorações do Centenário da sua morte.
O roteiro inaugural realiza-se na tarde do próximo sábado, dia 5 de Abril, e contará com as presenças dos presidentes da Câmara de Vila Nova de Famalicão e Guimarães, Armindo Costa e António Magalhães respectivamente, dos responsáveis da Sociedade Martins Sarmento e do Museu Alberto Sampaio, entre outras figuras da cultura minhota. Esta primeira visita é destinada apenas aos convidados, tendo o início marcado para as 14h30, junto aos Paços do Concelho e a chegada prevista para as 17h30.
Posteriormente irão realizar-se mais oito roteiros, nos dias 9 de Abril, 7 de Maio, 4 de Junho e 1 de Outubro para o público escolar e nos dias 3 de Maio, 7 de Junho, 6 de Setembro e 11 de Outubro para o público em geral. Os interessados deverão efectuar a sua inscrição no Departamento de Educação e Cultura da Câmara Municipal, sito na Rua Direita em Famalicão, ou através do telefone 252 320 954.
As visitas são feitas de autocarro, com lugar para 50 pessoas e são acompanhadas por uma guia qualificada.
[Informação do Município de Vila Nova de Famalicão]
“A esse tempo, escavando as citânias, remexendo nas suas ruínas, Martins Sarmento, com o seu vasto saber, a sua extraordinária perspicácia, as suas subtis intuições, decifrava, à luz da moderna ciência, esses enigmas arqueológicos, espalhados tão profusamente na região de Entre Minho e Douro. As suas investigações, alumiadas pela clareza dos raciocínios, revelavam toda uma estratificação histórica desaparecida, um mundo extinto, uma civilização fossilizada que fora como a raiz profunda e obscura das actuais formas da nossa vida social e económica.
Amigo íntimo de Sarmento, vivendo, como ele, em Guimarães, Alberto Sampaio seguiu de perto e com apaixonado interesse os seus trabalhos, que tantos subsídios elucidativos ofereciam às questões históricas em que o seu espírito andava empenhado. E, sobre a base das descobertas do ilustre arqueólogo na parte relativa à proto-história e à etnografia, traçou, o seu primeiro livro, o magnífico estudo sobre A Propriedade e a Cultura no Minho, que, desde logo, o colocou na primeira linha dos nossos publicistas de economia rural. E tanto que Oliveira Martins, ao elaborar o seu projecto de lei de Fomento Rural (que, sendo, talvez, o maior atestado da sua vasta capacidade de estadista é, por outro lado, a prova da nossa inqualificável incúria legislativa, que o deixou dormindo o eterno sono do esquecimento na sepultura duma comissão parlamentar) recorreu à colaboração e ao conselho de Alberto Sampaio, cujo conhecimento, ao mesmo tempo teórico e prático, erudito e técnico, da agricultura no norte do país, lhe era um precioso auxílio para dar ao seu monumental trabalho aquela exequibilidade pronta e segura que deve ser o ideal de todas as criações legislativas.”
Um pouco mais adiante, no mesmo texto, Luís de Magalhães, também ele amigo e confidente de Sampaio, situa a sua obra deste modo:
“Entre a obra arqueológica de Martins Sarmento e a obra histórica de Herculano, a de Alberto Sampaio interpõe-se como um nexo, uma ligação que as conjuga, as une e lhes dá continuidade, fazendo desaparecer um grande hiato de treva, de incerteza e de ignorância.”

O Museu de Alberto Sampaio, em colaboração com a Sociedade Martins Sarmento e as autarquias de Vila Nova de Famalicão e de Guimarães, celebram este ano as Comemorações do Centenário de Alberto Sampaio (1845-1908), ilustre historiador vimaranense escolhido, em 1928, para patrono deste Museu.
Entre as actividades preparadas pelo Serviço Educativo do Museu de Alberto Sampaio para esta efeméride, conta-se o lançamento de um caderno de exploração sobre a vida de Alberto Sampaio, intitulado “Alberto Sampaio: a brincar é que a gente se entende”.
De modo muito divertido e educativo traça-se o percurso de vida de Alberto Sampaio, convidando os jovens leitores a participar nessa descoberta. Através de pequenos textos informativos, conjugados com jogos de diversa índole, vai-se conhecendo a figura ímpar de Alberto Sampaio.
O lançamento desta publicação, destinada ao público infantil, teve lugar na manhã do dia 19 de Março .
A um conjunto de cerca de 80 crianças de uma escola vimaranense, o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, frequentadora habitual do Museu, será apresentado o Teatrinho de marionetas – «Histórias do Tio Alberto» e oferecido o caderno de exploração «Alberto Sampaio: a brincar é que a gente se entende».
Às escolas que quiserem participar no Museu nas actividades de exploração da figura de Alberto Sampaio serão oferecidos exemplares do referido caderno de exploração, oferta esta que se encontra limitada ao stock existente.
As marcações podem ser feitas para o Serviço Educativo do Museu por e-mail (masampaio.se@ipmuseus.pt ou mas.geral@gmail.com) ou por telefone (253 423 916).
A exposição “Os frutos da terra em Alberto Sampaio” que esteve patente no Museu Bernardino Machado, vai amanhã, terça-feira, dia 4, iniciar a sua itinerância pelas escolas do concelho. Pelas 10h00, a mostra documental é inaugurada na Escola EB 2,3 Júlio Brandão, sita na Rua Padre António José Carvalho Guimarães, onde estará patente até dia 28 de Março.Com esta itinerância, a Câmara Municipal de Famalicão pretende “levar a figura de Alberto Sampaio o mais próximo possível da comunidade escolar, aguçando-lhes a curiosidade pela nossa história e pelas nossas personalidades históricas”, como refere a propósito o presidente da autarquia, Armindo Costa.
Refira-se que a mostra dá a conhecer a atenção e o carinho que o historiador dedicava à agricultura e à vitivinicultura reunindo diplomas e medalhas de concursos, catálogos de viveiros nacionais e internacionais, livros especializados sobre os diversos assuntos agrícolas e cartas trocadas com os amigos.
A exposição transporta o visitante até à Quinta de Boamense, em Vila Nova de Famalicão onde Alberto Sampaio viveu durante bastante tempo e onde se dedicou à terra. Por uns momentos, o olhar repousa no verde dos campos, nos castanhos outonais das árvores do Sobreiral, nas cores vivas dos frutos e das flores que, aqui e além, pincelam esta tela campestre. Embalam-nos os sons da litania da água do rio Pelhe, a correr ao fundo da mata, as vozes dos homens na sua faina de sol a sol, misturadas com os trinados das aves e os sons da folhagem agitada pelo vento. Envolvem-nos os aromas fortes da terra mãe.
Vila Nova de Famalicão, 3 de Março de 2008
(Informação da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão)
A oficina O Meu Livro de Alberto surgiu como complemento da visita à exposição “Alberto Sampaio: Exposição Bibliográfica”, inaugurada a 1 de Dezembro de 2007 e patente no Museu de Alberto Sampaio até ao dia 31 de Março de 2008. Esta exposição bibliográfica contém alguns dos livros que pertenceram à biblioteca pessoal do historiador e que foi doada a este Museu em 2005. Através dela, é possível conhecer-se um pouco melhor Alberto Sampaio e os seus vários interesses. Na oficina “O meu livro de Alberto”, cada criança constrói um pequeno livro destinado ao registo de memórias reunidas a partir da visita à referida exposição e ao teatrinho de marionetas: “Histórias do Tio Alberto”. As crianças aprendem, assim, a construir um livro e, simultaneamente, adquirem noções básicas relativas às partes que o constituem.

No dia 29 de Junho de 1884, quando em Guimarães decorria a Exposição Industrial, com Alberto Sampaio ao leme, realizaram-se em Portugal eleições constituintes. O historiador vimaranense contava-se entre aqueles cujos nomes foram então a votos.
Sobre essas eleições e os seus resultados, já muito se tem dito. Citaremos, por exemplo, o historiador Manuel Alves de Oliveira, num texto que publicou em 1984, no Boletim dos Trabalhos Históricos, num texto alusivo à passagem do primeiro centenário da célebre exposição:
A história desta eleição é um pouco diferente da que tem sido contada. Na verdade, Alberto Sampaio nunca foi candidato a deputado e o seu nome foi introduzido nas urnas de voto por um número significativo de vimaranenses num gesto de homenagem e, ao mesmo tempo, de reacção contra a imposição, pelos principais partidos, de nomes estranhos a Guimarães. Isso mesmo se pode confirmar lendo a notícia que então foi publicada no jornal Comércio de Guimarães, em que se dava conta do modo como tinham decorrido as eleições em Guimarães:
"Em Guimarães a eleição correu pacífica e sossegadamente.
À última hora tocou-se a rebate nos campanários políticos, e o povinho obedeceu em rebanho.
Muitos eleitores não foram à urna; outros votaram pelo imposto regenerador, outros pelo candidato progressista, e outros prestaram a última homenagem a um nosso conterrâneo, cavalheiro modestíssimo, que empregou todos os esforços para que o seu nome não entrasse em lista alguma, obtendo, apesar disso, uma votação honrosíssima, eloquente e mui significativa.
Em algumas assembleias alguns eleitores riscavam francamente o candidato imposto e inscreviam o nome de Alberto Sampaio.
Era assim que os eleitores respondiam à imposição de um deputado estranho que foi eleito sem apresentação alguma."
[O Comércio de Guimarães, n.º 10, I ano, 2 de Julho de 1884]
Será o mesmo jornal, mais de duas décadas depois, que nos revelará com mais detalhe a história da suposta candidatura de Alberto Sampaio a deputado:
Variedades
(Apontamentos inéditos para a história de Guimarães)
Exposição Industrial
"Foi no dia 15 de Junho de 1884 que nesta cidade se inaugurou a Exposição Industrial, no palacete de Vila Flor, de iniciativa da benemérita Sociedade Martins Sarmento, exposição que foi elogiada por muitos visitantes ilustres.
Foi incansável na sua organização o snr. Dr. Alberto Sampaio, e de tal modo se houve, que um grupo de rapazes patriotas, passando por cima de todas as conveniências políticas e de interesses mesmo pessoais, não duvidaram em uma tarde, à frente de milhares de pessoas, aclamarem-no como deputado de Guimarães, pois se estava em vésperas de eleições.
Sua Exa., com aquela modéstia que de todos é conhecida, e mais seu exmo. irmão, na noite desse mesmo dia procuraram esses rapazes, e, agradecendo-lhes a lembrança, pediram-lhes que não insistissem na propaganda.
Apesar de S. Exa. não aceitar a lembrança, por motivos dignos de respeito, esses mesmos rapazes, sozinhos, na urna meteram uns 200 votos com o seu nome, de nada se receando.
Foram tempos evolutivos de progresso pátrio, que ainda hoje lembram a muitos com a maior saudade.
A exposição, por todos os motivos, foi brilhantíssima, tecendo-lhe a imprensa toda do país os maiores elogios, e foi ela, sem dúvida alguma, a causa única de ter hoje esta cidade a escola industrial."
[O Comércio de Guimarães, n.º 2049, XXII ano, 23 de Março de 1906]
Também publicado aqui...
ESTUDOS DE ECONOMIA RURAL DO MINHO
A terra, o clima, os homens e a administração pública
A estrutura geológica da província, que antigamente se chamava de Entre-Douro-e-Minho, pode designar-se como granítica e xistosa, apenas com umas pequenas manchas de terrenos terciários nos distritos do Porto e Viana. Em regra geral, os granitos ocupam a maior extensão, formando quase todo o centro, com algumas faixas xistosas mais ou menos largas a poente e norte, e a leste no vale do Tâmega. Além destas, encontram-se quase por toda a parte fitas estreitas ou manchas pouco extensas desta última formação atravessando ou misturando-se com os granitos. É assim que, segundo o quadro formulado por Sr. B. de Barros Gomes(1), dos quarenta e um concelhos que formam a zona “de Além-Douro litoral”, que compreende a região de que nos ocupámos, somente onze são considerados unicamente graníticos, tendo mais ou menos rochas xistosas os trinta restantes; e todavia talvez uma exploração minuciosa, como era de desejar, reduzisse ainda este número. Em todo o caso a maior extensão granítica é formada pelos concelhos de Guimarães, Fafe, Vieira, Povoa de Lanhoso, Amares e Terras de Bouro (distrito de Braga), Ponte da Barca, Arcos e Melgaço (distrito de Viana): no do Porto apenas dois e descontínuos, a sede e Marco de Canavezes; e só de xisto, apenas o de Valongo: em todos os outros as duas rochas misturam-se mais ou menos.
[…]
(1) Cartas elementares de Portugal.
in Alberto Sampaio, "Estudos de economia rural do Minho. A terra, os homens e a administração.", Revista de Guimarães, n.º 2, 1885, p. 203-231.

RESPOSTA A UMA PERGUNTA
Convirá promover uma exposição industrial em Guimarães?
Se a minha palavra valesse a pena de se ouvir, se fosse de qualquer utilidade a minha opinião, desde há muito teria acompanhado os que ultimamente já falando ou escrevendo, já organizando sociedades de estudo ou criando escolas, já fomentando pequenas exposições, quer enfim forçando a administração a proceder ao inquérito de 1881, estão tentando lançar no espírita público uma ideia nova, “a necessidade da criação duma indústria nacional”.
Deste movimento, que apenas começou ontem, sairá sem dúvida um novo modo de ser do nosso país, se por ventura aquela noção entrar definitivamente no pensamento português, e se vier na realidade a converter-se em facto.
Antes todavia de se chegar ao fim proposto, primeiro que a agitação iniciada comova o corpo social até se transformar em vontade de todos, será longo o caminho a percorrer, haverá uma enorme multiplicidade de esforços a empregar.
Na grandeza do trabalho, que se depara, algumas poucas linhas, corno as que se vão seguir, nenhum serviço poderão prestar pelo seu próprio valor, mas se chamarem a atenção de poucas pessoas que seja para o assunto, terão apenas o merecimento de concorrer numa pequeníssima parte sim, mas enfim concorrer também para o resultado final.
Posto isto, é claro que me não proponho dar novidades, mas, simplesmente repetindo, insistir no que se tem dito e escrito a tal respeito.
[…]
in Alberto Sampaio, "Resposta a uma pergunta. Convirá promover uma exposição industrial em Guimarães?", Revista de Guimarães, n.º 1, 1884, p. 25-34.
Quanto Joaquim Pedro de Oliveira Martins fundou, no Porto, o jornal A Província, convidou o seu amigo Alberto Sampaio para colaborador, como correspondente de Guimarães. Foi nessa condição que o historiador vimaranense acompanhou o conflito entre Braga e Guimarães, despoletado no dia 28 de Novembro de 1885 com um manifestação em Braga contra os procuradores de Guimarães à Junta Geral do Distrito de Braga. A questão entre as duas cidades minhotas agudizar-se-ia de tal modo que Guimarães passou a exigir a sua desanexação do distrito de Braga, passando para o do Porto. Ao longo do conflito, Alberto Sampaio assumiu a defesa dos interesses da sua terra, posição que se reflecte nos textos que vai enviando para “A Província”. Desde cedo, a questão entre Guimarães e Braga ganhou foros de luta partidária, na qual o Partido Progressista, de que o jornal de Oliveira Martins se assumia como porta-voz, se inclinava para o lado dos interesses de Braga. A certa altura, Alberto Sampaio sentindo-se magoado com a diferença de tratamento que o jornal dava às correspondências de Braga e de Guimarães sobre o conflito entre as duas cidades, escreve uma carta a Oliveira Martins em que denota a sua intenção de abandonar as funções de correspondente de A Província.
Meu caro amigo
Creio que me assiste toda a razão, como lhe vou expor. Desde que começou o nosso conflito com Braga, sabe muito bem que tanto as minhas correspondências como as daquela cidade eram colocadas na primeira ou segunda página debaixo do titulo “Conflito entre B. e Gui.es” e portanto tiradas do “correio das províncias”. Assim foi enquanto o gabinete regenerador estava no poder: quando este caiu, não me achava aqui, cheguei no dia 22 e neste mesmo dia escrevi e expedi uma correspondência que foi publicada no N.° 43. Depois de a expedir, recebi o n.º 42 e notei que já tinham mudado o primeiro título pelo de “Notícias de Braga” para a correspondência daquela localidade. Impressionou-me esta mudança e arrependi-me de a ter mandado, por se me afigurar que a questão desagradava agora uma vez que o partido progressista era governo. Era certo todavia que estava ainda na segunda página. No dia seguinte quando recebi o n.º 43 fiquei surpreendido, encontrando-a no “Correio das Províncias” em segundo lugar, quase enterrada nos anúncios. Esta colocação significou para mim e creio para toda a gente, que tal assunto não era do agrado da redacção, do que se me dava aviso por aquela via. Posto que magoado por tal tratamento entendi que me restava simplesmente indicar que tinha compreendido o aviso, o que fiz dirigindo-me, na sua ausência, ao administrador do jornal.
Tencionava logo que o soubesse regressado de Lisboa, escrever-lhe dando-lhe conhecimento da minha resolução e seus motivos.
Infelizmente não tive notícia da sua chegada a tempo de ser o primeiro a escrever. Peço-lhe que examine os n.os indicados e estou certo que me dará razão e que concordará que, dada a sua ausência, não podia proceder de outro modo.
Enfim posto de lado o correspondente da Província, o amigo é sempre o mesmo e dele disporá como sempre.
Alberto Sampaio.
Guimarães: Fev.º 27 [1886]
Em resposta a Alberto Sampaio, Oliveira Martins faria publicar, na primeira página da edição do dia 3 de Março de 1886, uma nota em que afirmava a independência de A Província no conflito que opunha Braga a Guimarães. Este texto servia de introdução a uma nova correspondência de Guimarães, em que Alberto Sampaio defende a “anexação de Guimarães ao distrito do Porto” como única solução possível para o conflito.
BRAGA E GUIMARÃES
Damos em seguida a carta do nosso prezado correspondente e amigo de Guimarães. A Província tem sido neutral nesta questão que sempre considerou administrativa e não política. Neste último terreno a colocaram indiscretamente os nossos adversários, levando a com os seus erros acumulados a um tal ponto do azedume e complicação que, no momento actual, não se poderia encontrar solução satisfatória para ambos os litigantes.
Parece-nos que, procurando bem, se encontraria um terreno de conciliação em que todos os interesses legítimos fossem atendidos, sem protrair um conflito a todos os respeitos inconveniente, quer para o país em geral, quer para a capital do distrito, quer para a briosa o nobre cidade de Guimarães onde o nosso partido tem importantes adesões o numerosas simpatias.
Para que bem se veja quanto esta questão local não é partidária basta dizer que na comissão de vigilância figuram os nomes dos snrs. visconde de Lindoso, Rodrigo Portugal, Domingos Ferreira e outros membros do centro progressista de Guimarães.
* * *
Guimarães, 3 de Março
O desejo da separação deste concelho do distrito de Braga acentua-se com a mesma, se não maior intensidade, como quando manifestou pela primeira vez.
Como ontem, continua a haver a mesma união entre todos os vimaranenses, reunidos numa única vontade. Assim foi desde o princípio, assim tem sido até agora e da mesma maneira será no futuro.
Esta questão estaria já resolvida, há muito tempo e para bem das duas partes, se se não tivessem dado os incidentes que são do conhecimento de todos.
Mas passada a perturbação do primeiro momento, e provado, como tem sido com toda a clareza, que a saída de Guimarães da circunscrição administrativa a que pertence actualmente, não lhe levanta nenhuns embaraços, pois ficará sendo ainda o 5.º distrito do reino e portanto um dos mais ricos e importantes – não havendo nenhuma razão de ordem pública ou particular em contrário do desejo do toda a população deste concelho, constante e incessantemente manifestado há mais do três meses, é fora de dúvida que a persistência mostrará aos poderes públicos a única solução possível, a anexação de Guimarães ao distrito do Porto.
Há sossego em todo o concelho, e mais que nunca são necessárias a serenidade e placidez, para que o processo possa ir seguindo os seus termos até final julgamento. Como ninguém é nem pode ser indiferente, como todos estão unidos no mesmo pensamento, as manifestações deverão ser no futuro, como no passado, ordeiras e sensatas.
[A Província, n.º 51, II ano, Porto, 4 de Março de 1886]
Alberto Sampaio é, como ele próprio o disse “minhoto cem por cento”. E este homem, de espírito universal simples e humilde, como reconhecem os amigos, e o historiador erudito, como atesta a obra que nos legou, que vamos homenagear.
O Município de Guimarães, a Sociedade Martins Sarmento e o Museu Alberto Sampaio têm toda a legitimidade e, porventura, o dever de fazer esta homenagem. Idêntica legitimidade tem o Município de Vila Nova de Famalicão.
Nesta circunstância, congratulo-me pelo o entendimento intermunicipal entre Vila Nova de Famalicão e Guimarães que preside a estas comemorações. Em vez de vários programas, temos um, que junta todos e que se desdobra por dois Municípios, e conta com a colaboração e participação de várias instituições e associações da região. Creio ser esta a melhor e a mais sábia maneira de homenagear Alberto Sampaio.
Ele que tinha o Minho como território de referência para os seus estudos históricos e para as experiências na vitivinicultura, onde foi pioneiro no desenvolvimento e projecção do vinho verde além fronteiras. Ele que escolheu o Minho como terra de eleição para viver.
A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão não vai cometer o erro praticado em 1941, no centenário do nascimento de Alberto Sampaio, ao deixar passar em claro aquele aniversário.
Sabemos que, na altura, viviam-se dias difíceis. Porém, isso não impediu que a Câmara de Guimarães organizasse um programa comemorativo.
Mesmo assim, nem a romagem ao cemitério de Cabeçudos, nem a colocação duma lápide na Casa de Boamense tiveram lugar. Inexplicavelmente ficaram adiadas.
Em Vila Nova de Famalicão, com a honrosa excepção de José Casimiro da Silva, director do “Estrela do Minho”, que lembrou no seu jornal o aniversário do seu nascimento, ninguém mais se mobilizou, nem mesmo as autoridades municipais da época.
O Município de Vila Nova de Famalicão tem pois responsabilidades redobradas que vai assumir, para com Alberto Sampaio. É certo que, nos últimos anos, tentou-se reparar esta injustiça. O seu nome já consta da toponímia famalicense e o Arquivo Histórico Municipal ostenta o seu nome.
Eis porque o lançamento da primeira pedra das novas instalações deste equipamento cultural, que faz parte do programa comemorativo, tem para nós um significado especial. Por um lado, evidencia o nosso total empenho na evocação do centenário da sua morte e, por outro, a reparação da injustiça que temos para com a memória do homem íntegro, do historiador sábio e do cidadão exemplar.
O programa é diversificado juntando o plano científico com o pedagógico, não esquecendo o envolvimento popular. É uma boa aposta dar oportunidade aos investigadores para aprofundar a obra historiográfica e para se conhecer em profundidade o pioneirismo no campo da vitivinicultura, não descurando o sentido educativo e pedagógico que estas iniciativas não podem deixar de ter.
A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão está de corpo inteiro e de espírito aberto nestas comemorações. O programa comemorativo foi aprovado por unanimidade pelo executivo municipal. Hoje, e cada vez mais, as fronteiras físicas e mentais deixaram de ter sentido. O nosso horizonte, tal como o de Alberto Sampaio, projecta-se para toda a região do Minho e do Nordeste de Portugal.
Armindo Costa
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
O título dado a esta exposição “Os frutos da terra em Alberto Sampaio” assenta bem nessa outra faceta do historiador das “Vilas do Norte de Portugal”, porventura menos conhecida: o seu profundo amor à terra e a sua insaciável curiosidade por tudo quanto lhe dizia respeito. Era na terra que buscava a Paz, educava a paciência e procurava soluções para melhorar a desesperada economia do nosso país. Ele próprio o confessa em carta que escreveu a Jaime de Magalhães Lima: “Felizes os que nunca conheceram outra escola senão aquela outra dos campos.” O seu espírito inquieto, o seu enorme desejo em conhecer tudo até ao mais ínfimo pormenor, levaram-no a experimentar, de uma forma exemplar, praticamente tudo quanto à terra dizia respeito. Apontava tudo meticulosamente e, sempre que necessário, recorria a desenhos simples, mas que se revelavam extraordinariamente úteis. Esta exposição revela um Alberto Sampaio floricultor, agricultor, vitivinicultor, diferente mas complementar do historiador notável que todos conhecemos. É talvez por isso mesmo, por trazer a público esta faceta mais ignorada do Historiador, que a exposição agora inaugurada é merecedora do nosso reconhecimento.
Os seus profundos conhecimentos de agricultura valeram-lhe o convite de Oliveira Martins para com ele colaborar no “Projecto de Lei do Fomento Rural”, colaboração tão valiosa que justifica a frase de Oliveira Martins a ele dirigida: “(…) em grande parte a obra é sua; queira-lhe como se quer a um filho.” Alberto Sampaio no seu notável trabalho “A propriedade e a cultura do Minho” mostra-se preocupado com a distribuição da água de rega. São suas estas palavras: “Aqui a água é tudo; é ela quem determina o valor de uma propriedade, o qual será maior ou menor segundo a quantidade de que puder dispor.” Visionário como sempre, já antecipa em finais do séc. XIX a construção de pequenas barragens como nos bosques alsacianos, ou presas que guardassem estas águas que serviriam quer para regas directas quer, pela infiltração, para aumentar o volume das fontes.
Esta exposição apresenta-nos este outro Alberto Sampaio que o Historiador por vezes encobre e procura torná-lo vivo, através da sua vida de agricultor e, mais do que isso, de Homem bom e tolerante, culto e inteligente, de uma modéstia beneditina que o tornaram credor da nossa mais profunda admiração.
Maria Augusta Sequeira Leal Sampaio da Nóvoa Faria Frasco
Museu Bernardino Machado, 26 de Janeiro de 2008
A exposição, subordinada aos temas rurais e agrícolas que motivaram Alberto Sampaio, dividiu-se por 6 áreas, designadamente a vinha, o campo, a mata, o pomar, a horta e o jardim, identificadas com as matérias de estudo e de experimentação por ele levadas a cabo na Quinta de Boamense. Deram-se assim a conhecer alguns dos muitos apontamentos manuscritos do historiador sobre as mais diversas plantações, desde árvores e vides até “novidades” hortícolas e flores, apontamentos que contêm o registo do que de mais significativo lhe importava reter. Apresentaram-se também catálogos de viveiros nacionais e internacionais da sua biblioteca, muitos deles anotados e a partir dos quais encomendava, não raras vezes, produtos ainda não comercializados em Portugal. O conjunto de citações retirado da sua correspondência é também um manancial de interessantes e curiosas informações. Na correspondência com Luís de Magalhães, dominavam claramente os assuntos da agricultura e da vitivinicultura, enquanto a horticultura, a jardinagem e a floresta eram temas recorrentes nas cartas trocadas com Jaime de Magalhães Lima. A apreciação dos vinhos, essa estava entregue aos seus velhos amigos Antero de Quental e Oliveira Martins.
Após a inauguração da exposição pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Arq. Armindo Costa, actuou o Grupo de Cantadores ao Desafio Famalicense. Alberto Sampaio e os seus vinhos verdes deram o mote a estes notáveis cantadores. Por fim, serviu-se vinho da Quinta de Boamense, acompanhado de pão-de-ló. A exposição vai estar patente ao público no Museu Bernardino Machado até ao próximo dia 2 de Março, iniciando, a seguir, uma itinerância pelas escolas dos concelhos de Vila Nova de Famalicão e de Guimarães.
No dia 1 de Dezembro de 2008, passa o primeiro centenário sobre a data da morte do historiador Alberto Sampaio, autor de "As Vilas do Norte de Portugal" e de "As Póvoas Marítimas", que o consagraram como o pioneiro da história económica em Portugal.
A Sociedade Martins Sarmento, o Museu de Alberto Sampaio, a Câmara Municipal de Guimarães e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão integram a comissão que preparou o programa comemorativo, que teve início a 1 de Dezembro de 2007, em Guimarães, a terra natal do historiador, e encerrará em Vila Nova de Famalicão, no dia em que se assinala o centenário da sua morte.