Alberto Sampaio não resistiu ao chamamento deste palmo de terra numa aldeia do Minho onde “o sol e a chuva adormecem na mesma folha”. No recanto da sua biblioteca, de janelas abertas para o jardim da Casa de Boamense, adivinhamos as longas horas passadas na leitura e na escrita das suas obras.
No mundo rural que o cerca, encontra algo mais do que um simples motivo de contemplação. Da “arte de fazer vinhos” parte para mais extensas explorações nos domínios da agricultura, floricultura, fruticultura, horticultura e floresta. A sua curiosidade científica, suportada por uma enorme atracção para as actividades do campo, não tem limites. Progressivamente, aprofunda os seus conhecimentos agrários, tornando-se rapidamente uma referência a quem são solicitados pareceres e dirigidos convites para integrar comissões de estudo e de exposições. Ao “mestre” recorrem com frequência os amigos mais íntimos, como Jaime de Magalhães Lima e Luís de Magalhães, seus admiradores e interlocutores privilegiados nestas matérias, como documenta a correspondência que trocam entre si. A poda e enxertia das vides, a selecção de castas, as experiências da plantação de árvores até então quase desconhecidas em Portugal, tal como o eucalipto, novas plantas e produtos hortícolas mandados vir expressamente do estrangeiro e cuja adaptação ao “solo pátrio” é seguida com particular atenção, são temas recorrentes na correspondência e em muitos outros documentos do espólio de Alberto Sampaio.
Nos Estudos de Economia Rural publicados na Revista de Guimarães e que reúne mais tarde no livro A Propriedade e Cultura do Minho, o historiador retrata, de forma exemplar, o panorama da realidade rural da província do Minho nos finais do século XIX. Do mesmo modo O Presente e o Futuro da Vitivinicultura em Portugal, escrito em 1884, é considerado um estudo de referência, quer no conhecimento da vitivinicultura praticada na época, quer pela antevisão dos seus progressos no século 20.
É neste espaço de ruralidade, cheio dos sons, aromas e cores da Quinta de Boamense, patente nesta exposição, que mergulham as raízes de Alberto Sampaio, filho e continuador daquele Bermardino de Sampaio Araújo que nas Cortes Constituintes de 1837, se declarou honrado por “ser lavrador de nascimento […] e mesmo lavrador de tamanco”.
Emília Nóvoa Faria
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